O que é o Xamanismo? Uma prática de povos caçadores antigos da Sibéria aos quais se foi buscar o nome? Uma neo qualquer coisa esquematizada por antropólogos, uma prática dos indios americanos, uma prática dos feiticeiros africanos ou uma prática da bruxaria tradicional europeia? Não sei e os verdadeiros xamãs não estão preocupados com todas as denominações ou questões sobre o que é ou não o xamanismo.
O que sei e sinto nos meus ossos é que a prática xamã está para além da cura, do curandeiro ( esta é a expressão portuguesa para o medicine man inglês). O xamã cura física e espiritualmente, é um mediador entre dois mundos, este e o outro, aquele que não vemos. O xamã para além de curandeiro é aquele que religa! Se for forte o suficiente entra em êxtase com as suas capacidades físicas, senão pede ajuda a ervas que o ajudam a fazer a viagem.
Xamã é aquele que em transe entra em contacto com o outro mundo. Para o fazer tem de primeiro acreditar que há mais para além deste mundo físico e material. Para entrar em transe tem de aprender práticas que o fazem “esquecer” da prisão do corpo físico, levando à exaustão até que a “armadura” do corpo se abre e ele “voa”. Para uns o mundo superior é que é importante, para outros é o mundo inferior. Talvez o caminho seja o do meio.
Sei e sinto nos meus ossos que há no inconsciente colectivo de cada povo práticas xamãnicas. Então, em vez de ir atrás de práticas estranhas de outros povos porque não procurar as práticas do seu povo. Quando se nasce num determinado ponto da Terra é por alguma razão.
É a Vida que chama o xamã. Ele pode não querer, afasta-se até, mas há um dia que não pode recusar mais e tem de enfrentar os seus medos e avançar. Se tem por perto alguém que o ajude a fazer a caminhada melhor, senão os seus guias protectores ajudam no processo. No tempo em que o xamã nascia numa pequena comunidade caçadora nas tundras siberianas toda a envolvência cultural e espiritual do grupo criavam um “caldo” necessário para o xamã nascer e crescer. Hoje essa realidade está um pouco mais distante.
Sei que é habitual falar-se de famílias de xamãs. Algo que passa de pai para filho ou mãe para filha. Até pode ser, mas sinto nos meus ossos que essa é a via de menor esforço e de manutenção do poder, uma espécie de linhagem.
Sei e sinto nos meus ossos que o xamã compreende que o caminho é solitário e que há um processo de solidão que tem de ser atravessado, seja nas florestas, seja no quotidiano de uma cidade. Só na solidão é que arranja coragem para mergulhar dentro de si e enfrentar a sua sombra e sobreviver.
Agora há muitas práticas por esse mundo fora que podem ser adicionadas ao dom essencial mas temos de ter muita clareza para fazer a divisão das águas, essas práticas enriquecem o dom essencial mas não são o dom.
Já fiz várias oficinas ( prefiro a palavra oficina a workshop do inglês ) sobre xamanismo que me ajudaram a compreender melhor as práticas e os grupos que se dizem xamanicos. Achei uns mais interessantes que outros mas esta é uma mera opinião. Já li alguns livros sobre o assunto mas o que sabe a minha Alma é muito mais forte que tudo isso.
